domingo, 7 de maio de 2017

Sarcoma de aplicação em felinos




O QUE É UM SARCOMA DE APLICAÇÃO? 

Apesar de serem raros, os sarcomas de aplicação felinos são tumores cancerígenos que podem aparecer após uma injeção. Já que as vacinas estão entre as principais aplicações que os gatos recebem, isto pode ser uma preocupação para os tutores de gatos. 

Uma causa especifica ainda não foi estabelecida, mas já é conhecido que os processos inflamatórios em resposta à administração de produtos injetáveis podem causar a formação de sarcomas. 

sarcoma de aplicação em estágio avançado 

O papel dos adjuvantes (substancias adicionadas nas vacinas para aumentar a eficácia dos componentes, como os micro-organismos mortos que irão induzir uma resposta imunológica, incluindo aqueles que contém alumínio ) e o local da inflamação nesta patogenia do sarcoma de aplicação ainda não é claro. 

Estudos recentes sugerem que as vacinas e outras aplicações são agentes de risco para o sarcoma de aplicação. Estes estudos também mostram que, em alguns gatos, qualquer tipo de substancias injetada na pele pode induzir uma resposta inflamatória. Quando essa inflamação não é controlada, se transforma em um sarcoma. 

Para a grande maioria dos pacientes, a vacinação é um processo de baixo risco, apesar de nenhuma vacina ser completamente livre de reações. É possível que qualquer injeção em um gato pré-disposto possa resultar em um sarcoma de aplicação. Estudos ainda não foram capazes de determinar se a genética dos gatos pode ser um fator determinante. 


Local mais comum para aparecimento de sarcomas 

Por causa de sua agressividade, estes tumores podem invadir o tecido local e até mesmo causar metástase em outras áreas do corpo, resultando em um prognostico bem ruim. 

Sarcomas de aplicação são considerados de raro desenvolvimento. Relatórios indicam que estes sarcomas acontecem em um nível de 1 gato para cada 10.000 ou 30.000 vacinações. 

QUANTO TEMPO DEPOIS DA VACINAÇÃO UM SARCOMA PODE SE DESENVOLVER?

O intervalo de tempo entre a vacinação e o desenvolvimento de um sarcoma pode variar tremendamente. Já foram vistos sarcomas após 2 meses até 10 anos após a vacinação. 

COMO SARCOMAS SÃO DIAGNOSTICADOS? 

Sarcomas de aplicação são diferentes de outros tipos de reações vacinas           ( podendo incluir apatia e febre ) com o desenvolvimento de nódulos duros no local da vacinação. 

Vários exames para o diagnostico podem ser necessários, assim como planos de tratamento para seu animal. 

Apesar de exames de imagem como a ressonância magnética e tomografia computatorizada não estão disponíveis para todos, a Associação Americana de Clinicos de Felinos sugere que estes exames sejam utilizados para um melhor diagnostico e plano de ação para o animal, ajudando a avaliar a extensão do tumor. 

COMO SARCOMAS DE APLICAÇÃO SÃO TRATADOS? 

Estes tumores são tipicamente agressivos e rápidos. Há diversas opções de tratamento que incluem cirurgia, terapia com radiação e quimioterapia. 


cirurgia para retirada de sarcoma de aplicação 


Pesquisas mostram que cirurgia agressiva primária, antes ou depois de terapia radioativa é a melhor opção. Há outros tipos de terapias disponíveis, dependendo do grau do tumor. Outras terapias estão, atualmente, sendo exploradas. 

QUAL O PROGNOSTICO PARA O SARCOMA DE APLICAÇÃO NOS GATOS? 

O prognostico pode variar muito. Assim como a maioria dos cânceres, a detecção e tratamento precoces geralmente levam a um bom resultado. 

Check-ups anuais nos gatos oferece ao médico veterinário a oportunidade de descobrir leões iniciais antes que o sarcoma atinja um tamanho maior e sejam de difícil remoção. 

OUTROS TIPOS DE APLICAÇÕES, COMO OS MICROCHIPS, PODEM CAUSAR SARCOMAS?

Outras injeções, além das vacinas, podem causar a formação de sarcomas, mas estas ainda não foram muito estudadas. A probabilidade de outras injeções estarem associadas ao sarcoma de aplicação é bem menor do que as vacinas, de acordo com médicos veterinários. Até o momento, só há um caso de sarcoma de aplicação causado por inserção de microchip em um gato. 

COMO PREVENIR UM SARCOMA DE APLICAÇÃO? 

É importante que os protocolos de vacinação sejam individualizados para cada animal, protegendo a saúde dele e a saúde pública, assim como prevenir vacinações desnecessárias e a oportunidade de aparecimento dos sarcomas vacinando os animais nos locais sugeridos. 

O médico veterinário deve trabalhar juntamente com os tutores para tomar as melhores decisões para o animal, levando em consideração a idade do mesmo, estilo de vida e os possíveis riscos para determinar um melhor esquema vacinal.

Fazer um registro do local das vacinas dos gatos e seguir as recomendações de aplicação da vacina. 

QUAIS OS FATORES DE RISCO PARA O SARCOMA DE APLICAÇÃO? ( Jornal de Medicina Felina e Cirurgia, 2013 )

* Número de vacinas ou injeções aplicadas no local 

* 3-4 vacinações seguidas na região interescapular dobra o risco de aparecimento de sarcomas em comparação com apenas 1 aplicação 

* Administração de vacinas frias versus administração de vacinas em temperatura ambiente 

POR QUE É IMPORTANTE VACINAR OS GATOS MESMO COM ESSE RISCO?

Vacinas são administradas para proteger os gatos de doenças sérias e que podem ser potencialmente fatais. Gatos devem receber vacinas múltiplas ( a tríplice felina é a vacina reconhecida como ESSENCIAL, mundialmente, protegendo contra RINOTRAQUEITE, CALICIVIROSE e PANLEUCOPENIA ) e antirrábica. 

No caso da raiva, a vacinação anual a partir dos 4 meses de idade é essencial para evitar riscos para a saúde dos indivíduos e saúde publica em geral             ( humanos e animais ), já que a raiva é incurável e fatal.  


Vacinar é preciso. De forma responsável, para melhor imunização e menores riscos. 

Converse com seu médico veterinário sobre quais vacinas são mais importantes para o seu animal e por que. 

O estilo de vida do seu gato e o risco para os sarcomas vacinais devem ser levados em consideração. 

Quer saber mais sobre vacinação felina? Leia! Vacinação felina: tipos, benefícios e riscos. 


QUAIS OS LOCAIS MAIS SEGUROS PARA APLICAÇÕES EM GATOS?


A recomendação é que as vacinas anti-rábicas sejam dadas o mais distal possível no membro traseiro direito. 


recomendações vacinais atuais:  membros ou cauda 

Vacinas contendo o antígeno do vírus da Leucemia Felina ( quíntupla felina ) devem ser dadas o mais distante possível no membro traseiro esquerdo.

Outras vacinas múltiplas devem ser dadas no membro dianteiro direito, evitando assim a área interescapular

E PARA GATOS DE COLÔNIA?

Gatos de colônia, a partir dos 4 meses de idade, devem ser vacinados com a anti-rábica, para uma proteção dos animais e dos seres humanos que trabalham com eles em C.E.D. 


vacinação caudal em um de nossos Felinos Urbanos 

Mesmo que eles recebam somente uma aplicação no momento da castração, estudos comprovam que eles mantém uma excelente resposta imunológica para a doença. 

É importante utilizar os locais de vacinação recomendados para a imunização destes animais também. 


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Lidando com preocupações sobre a castração precoce - parte 3

Texto traduzido de: Lidando com preocupações sobre a castração precoce da ASPCA ( maior associação americana de bem estar animal, fundada em 1866 )

CARACTERÍSTICAS SEXUAIS SECUNDÁRIAS 

A vulva em cadelas castradas é menor do que de cadelas não-castradas, mas não há evidência da existência de importância clinica nesta diferença de tamanho. 

Dermatite perivulvar é uma condição que ocorre tanto em fêmeas castradas quanto não-castradas e está mais associada à obesidade do que à esterilização. Glândulas mamarias também são menores em tamanho. 

O pênis e prepúcio de machos castrados irá manter o aspecto juvenil, mas, novamente, não há problemas clínicos nestes animais que não são sexualmente ativos. 

                                        As espiculas ( "espinhos" ) penianos são formadas a partir da influência                                                  da testosterona e servem para estimular a ovulação das gatas durante a copula 

No gato macho, há uma redução da habilidade de expor o pênis do prepúcio, mas não há conhecimento de problemas clínicos associados à isso. 

Essa característica pode ocorrer, independentemente se o animal for castrado com 7 semanas ou aos 7 meses de idade. 

DOENÇAS INFECCIOSAS 

Alguns abrigos encontraram um aumento na incidência de doenças respiratórias ( em particular, doenças do trato respiratório superior em gatos e parvovirose em cães ) em animais que foram submetidos à castração precoce, mas o stress da vida no abrigo, anestesia e os efeitos da cirurgia também afetam animais adultos, não somente os filhotes. 

Muitos animais de abrigo irão, provavelmente, desenvolver doenças de qualquer forma, já que há um grande número de agentes infecciosas presentes nestes locais. 

Doenças infecciosas não devem ser um problema em ambientes de clinicas particulares. 

PIOMETRA 

Piometra é uma infecção uterina que afeta 15.2% a 24% de cadelas entre as idades de 4-10 anos em países onde a castração não é comumente feita. 

Já que a castração, que remove os ovários e útero, assim prevenindo o desenvolvimento da doença, é um procedimento de rotina nos EUA, as informações sobre a incidência, no país, são difíceis de conseguir. 



A ovariectomia, remoção cirúrgica de somente os ovários, também irá prevenir o desenvolvimento de piometra, mesmo que o útero seja deixado intacto no animal. 

HIPOTIREOIDISMO

Hipotireoidismo ocorre com maior frequência em cães castrados, mas a relação causa e efeito ainda não foram estabelecidas. A incidência de hipotireoidismo em cães é de 0.2% e 0.3% e algumas raças, como o Doberman, Golden Retriever e Dachshunds são mais propensos à doença. 

DIABETES MELLITUS 

Gatos, machos e fêmeas, castrados, tem demostrado possuir um risco maior de desenvolver diabetes mellitus em comparação com animais não-castrados. Outros fatores de risco para o desenvolvimento da diabetes incluem: raça ( Burmeses tem uma maior incidência ), sexo ( machos são os mais propensos ), obesidade e idade.  

gatos machos obesos são os mais propensos a terem diabetes 
Teorias recentes sugerem que uma dieta cheia de carboidratos como a ração seca também seja um fator de contribuição para o desenvolvimento da doença em gatos. 


Um possível risco para o aumento do desenvolvimento da diabetes foi apontado em machos castrados, mas também associado à obesidade. 

Mais pesquisas sobre o assunto são necessárias

NEOPLASIAS

Há uma preocupação que a castração precoce possa aumentar o risco de alguns tipos de neoplasia. Para que possamos balancear o assunto, qualquer discussão sobre neoplasias também deve acompanhar a diminuição dos riscos do animal desenvolver outros tipos de neoplasia. 

Por exemplo, tumores nas glândulas mamarias são o tipo mais comum de tumor em cadelas, com uma incidência reportada de 3.4% e são o terceiro mais comum em gatas, com incidência de 2.5%. Em cadelas, 50% dos tumores são malignos e para gatas, a porcentagem sobre para 90%. 

Cadelas e gatas não-castradas tem um risco muito maior de desenvolverem tumores mamários do que animais castrados. Estudos mostram que o risco de desenvolver a doença em cadelas castradas antes do primeiro cio é de 0.5%. Após o primeiro cio, a chance aumenta para 8.0% e após o segundo cio, a chance é de 26%. 

tumor de mama em cadela 

Muitos veterinários acreditam que a castração diminui os riscos de câncer de próstata nos machos, mas estudos indicam que animais castrados tem, na verdade, 2.4 – 4.3% mais chances de desenvolverem tumores de próstata que cães não castrados. No entanto, a incidência desses tumores nos cães castrados é de apenas 0.2%-0.6%. 

A relação causa e efeito ainda não é conhecida, mas a castração protege o animal de outras doenças prostáticas muito mais comuns em cães não-castrados, como, por exemplo, a hiperplasia prostática, hiperplasia cistítica, metaplasia escamosa, cistos paraprostáticos, inflamação da próstata e abcessos prostáticos. 

Outro tumor que tem sido associado com a castração é o hemangiossarcoma. Fêmeas castradas tem 2.2 vezes mais chances de desenvolverem hemangiossarcoma hepático e 5 vezes mais chances de desenvolverem hemangiossarcoma cardíaco do que fêmeas não-castradas. No entanto, a incidência geral de tumores cardíacos é de apenas 0.19%, tornando-o bastante incomum em relação a outros tumores. 

Acredita-se que a incidência de osteosarcoma é de 2%, mas a castração pode aumentar o risco da doença em 1.3 a 2.0 vezes. Em um estudo limitado com Rottweilers por COOLEY, houve um aumento significativo da doença em cães castrados antes de 1 ano de idade ( o que não é considerado castração precoce ), mas de uma forma geral a incidência da doença nesta raça é muito mais alta do que em qualquer outro animal. 

Além disso, neste estudo, a expectativa de vida das fêmeas castradas era mais longa do que a de fêmeas não-castradas. Não é possível generalizar o efeito em todos os cães a partir deste único estudo. 

Carcinoma celular transicional é o tumor mais comum do trato urinário em cães. Animais castrados tem um risco maior de 2-4 vezes de desenvolverem a doença do que animais não-castrados. No entanto, a relação causa e feito não foi bem definida, e este tipo de tumor em cães é reportado como somente 1% dos casos de todos os tumores malignos. 

Tumores testiculares aparecem como 90% dos tipos de câncer do sistema reprodutor masculino. Apesar de muitos fatores podem ser responsáveis por seu aparecimento, o criptorquismo ( uma falha em que o testículo não desce para a bolsa escrotal, permanecendo na cavidade abdominal ) é o maior fator de contribuição para o aparecimento da doença. 

criptorquismo em cão 

Metástase é considerada baixa para estes tipos de tumores e a castração é, geralmente, a terapia de prevenção e curativa. 

RESULTADOS A LONGO PRAZO 

Muitos estudos tem associado a castração precoce e castração em qualquer idade a várias condições de saúde, no entanto, na maioria das vezes, uma direta relação entre causa e efeito ainda não foi determinada. 

Além disso, muitos dos problemas de saúde apontados, como  o hemangiossarcoma são extremamente raros e influenciado por outros fatores como hereditariedade, raça, idade, dieta, peso e ambiente. Eles também ficam em segundo plano, quando pensarmos nos benefícios que a castração precoce pode trazer ao animal em condições muito mais comuns, como tumores de mama, piometra e neoplasia benigna da próstata. 

Baseado nos conhecimentos atuais, médicos veterinários devem se sentir confortáveis para instruir os tutores de seus pacientes sobre a melhor idade para castrar cães e gatos. 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Lidando com preocupações sobre a castração precoce - parte 2

Texto traduzido de: Lidando com preocupações sobre a castração precoce da ASPCA ( maior associação americana de bem estar animal, fundada em 1866 )

OUTROS FATORES DE SAÚDE 

Muita das informações neste texto foram retirados de informações sobre a segurança a longo prazo da castração precoce, de um artigo de 2007, da Drª. Margaret Root Kustritz, médica veterinária especialista em reprodução, na Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Minnesota. 

OBESIDADE 

Obesidade é um problema tão comum para cães e gatos que muitas organizações veterinárias e empresas de comidas para pets desenvolvem vários recursos e dietas especiais para ajudar os tutores a reduzir o peso de seus animais. 

A obesidade é influenciada por um grande número de fatores e enquanto alguns veterinários reportam que animais castrados tem uma tendência a ganharam mais peso do que animais não-castrados, isso pode acontecer independentemente da idade em que o animal foi esterilizado. Um estudo publicado em 1991 indica que cães não desenvolvem obesidade se forem castrados precocemente ou logo após os 6 meses. Outro estudo de 1996 mostra que gatos podem ganhar peso independente da idade da castração. 

a obesidade em cães e gatos já é considerada uma epidemia mundial 

Um estudo de 2004 da Cornell*, indica uma diminuição de casos de obesidade em cães machos e fêmeas que foram submetidos à castração precoce, comparado com aqueles esterilizados após os 5 meses de idade. 

Então, podemos concluir que a obesidade é um problema multi-fatorial e não automaticamente uma consequência da castração. Até mesmo um animal não-castrado pode se tornar obeso se não receber uma dieta adequada e sem exercícios. Assim como em seres humanos, má alimentação e ausência de atividade física são os reais culpados. 

CRESCIMENTO 

Muitos veterinários, erroneamente, acreditam que a castração precoce irá prejudicar o crescimento dos animais. Essa preocupação foi refutada em vários estudos. A remoção da influência dos hormônios sexuais nas placas de crescimento dos ossos longas resulta em um atraso no fechamento das mesmas, ou seja, os ossos, na verdade, ficam mais longos. 

No entanto, até o momento.  não há significância clinica na diferença de tamanho destes animais. 

RUPTURA DO LIGAMENTO CRANIAL CRUZADO 

A incidência reportada de ruptura de ligamento cranial cruzado em cães é de cerca de 1.8%  e é mais reportado em cães machos e fêmeas castrados do que não-castrados. 

A relação entre causa e efeito ainda não é definida, mas além da suspeita de influência hormonal, hereditariedade, peso e condição corpórea no geral também possuem um peso neste tipo de problema. 

Mais pesquisas sobre o assunto são necessárias. 

DISPLASIA COXOFEMURAL 

A incidência reportada de displasia coxofemural é de 1.7%, com números mais significativos em raças de cães grandes e gigantes. A displasia coxofemural é uma condição hereditária, afetada pelo manejo ambiental do cão, assim como dieta. 

Estudos de longo prazo observam a incidência de displasia em cães e associação da doença com a castração precoce. 

estágios da displasia coxofemural 

Em um longo estudo da Cornell, filhotes submetidos à castração precoce antes dos 5.5 meses de idade tiveram um aumento na incidência de displasia.  No entanto, achados adicionais indicaram que cães que foram castrados aos 6 meses de idade eram 3 vezes mais propensos a serem eutanasiados por causa da displasia do que os cães castrados precocemente. 

Os autores sugerem que a castração precoce pode estar associada  a um tipo menos severo de displasia coxofemural. 

COMPORTAMENTO 

Os efeitos da castração precoce são amplamente desconhecimentos. 
A castração e subsequente diminuição nos hormônios sexuais tem sido co-relacionados com a diminuição de dimorfismo sexual entre machos e fêmeas. 

A castração, em qualquer idade, reduz o hábito dos machos de demarcar território com urina, fugas e brigas com outros machos em competição por fêmeas no cio, fazendo deles, animais de companhia mais desejáveis. 

Além disso, a treinabilidade de animais de trabalho não é alterada com a castração e não sofre variação com a idade em que o animal é esterilizado. 

a grande maioria dos cães de serviço são castrados 

Um estudo da Cornell com cães castrados antes dos 5.5 meses indicou um aumento de sensibilidade por sons, diminuição de comportamentos sexuais, fugas, ansiedade por separação e marcação de território com urina quando assustados. 

No entanto, o estudo HOWE, em 2001, mostrou que não havia diferença na incidência de problemas comportamentais de uma maneira geral ou especifica na castração precoce e castração tradicional. 

Vários estudos mostraram um aumento de agressividade em uma raça especifica de cão e reatividade após a esterilização destas fêmeas durante o cio. A causa exata dessa tendência permanece desconhecida. 

HART, 2001, reportou uma diminuição progressiva de função cognitiva em machos não-castrados em comparação com machos castrados, mas a amostra desse estudo era muito pequena e sem relação com a castração precoce. 

Existem novas evidências que animais castrados, independentemente das 7 semanas ou 7 meses, são mais ativos e animados e que gatos, machos e fêmeas, se tornam mais carinhosos do que os animais não-castrados, mas essa é uma observação subjetiva. 

Mais pesquisas para explorar o impacto da castração no comportamento dos animais ainda são necessárias. 

DOENÇA DO TRATO URINÁRIO

Apesar de alguns veterinários continuarem a acreditar que a castração precoce contribui para um maior número de obstruções urinárias nos gatos machos, esse não é o caso. Estudos feitos em gatos machos para determinar a incidência de obstruções do trato urinário em populações de animais não-castrados e castrados e não foram encontradas co-relações entre a idade da esterilização e incidência da doença. 

Foi descoberto que não há variação do diâmetro da uretra peniana em gatos não-castrados ou felinos castrados com 7 semanas ou 7 meses. 


INCONTINÊNCIA URINÁRIA 

Incontinência urinária responsiva ao estrogênio, atualmente conhecida como Incompetência do Mecanismo Esfincter Uretral ( ou, simplificadamente, a inabilidade de controlar urina ), é comum em fêmeas castradas, independente da idade em que foram esterilizadas. 

No entanto, um estudo da Cornell indicou que há um significante aumento do risco de incontinência urinária para cadelas castradas antes das 12 semanas de idade, apesar de outros fatores também influenciarem o desenvolvimento do problema, como idade, obesidade e raça. 

Cadelas idosas e não-castradas irão apresentar incontinência como resultado da diminuição do estrogênio circulante, que tem efeito no esfincter uretral externo. Incontinência pode aparecer logo após a cirurgia de castração, anos após ou nunca. 

É necessário mais pesquisa sobre o assunto. O estudo da Texas A&M não mostrou aumento de risco e outro estudo de 1992 mostrou uma maior incidência de incontinência urinária em fêmeas castradas após o primeiro cio. 

*Cornell University College of Veterinary Medicine

Lidando com preocupações sobre a castração precoce - parte 1

Texto traduzido de: Lidando com preocupações sobre a castração precoce da ASPCA ( maior associação americana de bem estar animal, fundada em 1866 )

Estudos mostrando resultados a longo prazo de castrações realizadas precocemente ou nas “idades tradicionais” em gatos e cães foram publicadas no Jornal da Associação Americana de Veterinária nas edições de 1º de Dezembro de 2000 e 15 de janeiro de 2001, respectivamente. 

Os estudos envolveram 269 cães e 263 gatos de abrigos de animais e foram conduzidos pela Dra.Lisa Howe, da Universidade A&M de Veterinária do Texas. 

A conclusão para cães, foi: “salvo animais com doenças infecciosas, a castração precoce pode ser feita de maneira segura em cães, sem a preocupação de incidência de problemas físicos ou comportamentais por, pelo menos, um período de 4 anos após a castração.” 

Abrigos que mantém filhotes por um longo período tem encontrado problemas com a parvovirose. No entanto, os autores desses estudos não concluíram que a castração precoce pode predispor o animal à doença.  Os filhotes no estudo estavam em uma idade altamente susceptível ao parvovírus e em ambiente de abrigo onde a doença é comum. 

Eles desenvolveram parvovirose por estes motivos e não por terem sido castrados precocemente. 

filhotes castrados são doados mais rapidamente e quanto mais cedo eles saíram do ambiente de abrigo, melhor 

A conclusão para gatos foi: “a castração precoce pode ser feita de forma segura em gatos sem preocupação de incidência de problemas físicos ou comportamentais por, pelo menos, um período de 3 anos após a castração.”

Outro estudo sobre os efeitos a longo prazo da castração precoce foi publicado no Jornal da Associação Americana de Veterinária na edição de 1º de Janeiro de 2004. Este estudo, coordenado pelo Drª. Vic Spain, do Colégio de Medicina Veterinária da Universidade de Cornnel, investigou os arquivos de 1.842 cães e 1.660 gatos de abrigo que foram submetidos à castração precoce. 

Este estudo teve duração de 11 anos e a conclusão para cães foi: “já que a castração precoce oferece mais benefícios do que riscos para cães machos, os abrigos podem, de forma segura, submetê-los a castração aos 2 meses e os veterinários devem considerar a recomendação da castração precoce como rotina para os tutores, antes da tradicional idade de 6-8 meses de idade. Para cadelas, no entanto, casos de incontinência urinária sugerem que a castração precoce seja mais benefica aos 3 meses de idade."

Em uma palestra de 2011 para acadêmicos veterinários em Quesland, Austrália, Dr.Jeff Young, um dos grandes nomes mundiais em controle populacional, fala sobre a incontinência urinária e seus múltiplos fatores: 

"(...) devemos levar em consideração a técnica cirúrgica. Se você está usando Catgut  na base do útero, você não está fazendo o correto para o animal. Se eu tenho um estudo cientifico sobre isso? Não. Mas é a minha experiência, já remexi dentro de animais o suficiente, tirando grandes granulomas. Quando você corta e amarra o útero, ele retrai bem na bexiga e é onde os problemas de incontinência começam. O tipo de sutura é muito importante. 

Na Costa Rica eles tiveram grandes problemas com castração precoce pois estavam usando nylon da espessura do meu dedo. Você não acha que é um problema, algo assim, se esfregando em uma bexiga? Não faria isso com nenhum animal. Mas, é mais barato, mais rápido e por isso eles fazem, mas quando tem todos esses problemas, não sabem o motivo. Se você for fazer algo, faça direito. 

E, por isso, eu daria mais motivos para explicar incontinência. Fêmeas que já tiveram muitas ninhadas tem um aumento entre 4% a 8% de chances de apresentar incontinência, aumento de peso também, mas entre 8% a 16% terão incontinência se forem castradas. A pergunta é: será que podemos pegar esse percentual de 8 a 16% e diminuirmos isso através da mudança de técnicas cirúrgicas, nos certificando que elas não irão ganhar peso, lidando corretamente com o hipotireoidismo?

Algumas raças como Dobbermans, adivinhem só, terão incontinência. Boxers terão incontinência, pois tem uma grande chance de hipotireoidismo, sempre estão acima do peso ou possuem algum outro problema, então há muitas outras causas envolvidas."



É importante salientar que as fêmeas com incontinência urinária já se encontravam em suas casas após adoção e não foram devolvidas ao abrigo. 

O estudo a longo prazo da Texas A&M não encontrou achados semelhantes sobre incontinência urinária e, outro estudo ( ARNOLD, 1992 ), mostrou que havia maior incidência de incontinência urinária em fêmeas castradas após o primeiro cio. 

A conclusão para gatos do estudo da Universidade de Cornell foi: "a castração antes dos 5.5 meses não foi associada à casos de morte ou devolução dos animais ou ocorrência de nenhuma condição médica séria ou problemas comportamentais e pode garantir melhor qualidade de vida à longo prazo, especialmente para gatos machos. Abrigos podem, de forma segura, submeter os gatos à castração precoce e os veterinários os veterinários devem considerar a recomendação da castração precoce como rotina para os tutores, antes da tradicional idade de 6-8 meses de idade."



É necessário ressaltar que o foco dos estudos não foi estabelecer a segurança da castração para animais aos 6 meses de idade. Em uma revisão de literatura por OLSON e ROOT KUSTRITZ,  em artigo publicado em 2001, mostrou que possíveis efeitos colaterais da castração não são acentuados em animais castrados no período de 7 semanas em comparação daqueles esterilizados na “idade tradicional” de 7 meses. 


terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Castração Precoce: beneficios e melhores práticas

Texto traduzido de: Castração Precoce: benefícios e melhores práticas, da ASPCA     ( maior associação americana de bem estar animal, fundada em 1866 ). 

Falando de uma maneira geral, a castração precoce se refere à esterilização de machos e fêmeas de cães e gatos antes da idade tradicional de 6 meses de idade. O tema vem sido debatido entre veterinários através dos anos, com a maior preocupação sendo para os cirurgiões que atendem estes animais entre 6-8 semanas de idade ou aproximadamente 1kg. 


campanha de castração precoce da Alley Cats Allies, grupo pioneiro de C.E.D nos EUA


Pesquisas, no entanto, revelam que existem muitos benefícios da castração precoce e muitos medos são infundados. 

O texto a seguir foi escrito pela médica veterinária, presidente do departamento de Medicina do Coletivo da ASPCA, Dra.Lila Miller. 

BENEFÍCIOS DA CASTRAÇÃO PRECOCE 

1- Veterinários que estão habitados com o processo cirúrgico e anestesia concordam que a castração precoce é muito menos estressante psicologicamente para os pacientes mais jovens. 

2- Filhotes devem ser submetidos a um jejum de APENAS 2-4 horas, prevenindo assim o risco de hipoglicemia. 

3- Filhotes estão plenamente acordados geralmente uma hora após o procedimento, então eles podem receber pequenas porções de comida e levados para casa no mesmo dia, evitando assim o stress da internação hospitalar. 


filhotes doados após a castração NUNCA serão parte do problema da superpopulação de animais 

4- Veterinários com experiência na prática relataram que a cirurgia é mais rápida, fácil e menos estressante para o paciente e para o cirurgião. 

5- As complicações operatórias em castração precoce são muito poucas. 

6- Castrar uma fêmea antes do primeiro cio tem um efeito protetor eficaz em relação ao desenvolvimento de tumores de mama. 


7- A castração precoce custa menos, financeiramente, já que são utilizados menos materiais, é necessário menos auxiliares no pré, pós e durante o procedimento cirúrgico e monitoramento. 

8- Se o procedimento for feito no período das ultimas vacinas, aos 3-4 meses de idade, o veterinário não precisa se preocupar com esquecimento por parte do cliente. 

A castração pode ser incluída no “pacote de cuidados do filhote”, juntamente com a vacinação e vermifugação. Atraso na castração é geralmente a causa do nascimento de ninhadas indesejadas que acabam abandonadas. 


                                      por serem animais que reproduzem nos dias mais longos e quentes,                             algumas gatas podem entrar no primeiro cio aos 4 meses de idade

9- O conceito de “saúde única” que promove uma ligação entre saúde humana e animal requer que o médico veterinário seja parte na solução de problemas da comunidade. Estudos mostraram que animais não-castrados são muito mais propensos a serem abandonados do que animais esterilizados. A castração precoce é um componente essencial de ajuda à comunidade para resolver o problema do número de eutanásias de animais abandonados nos EUA. 


filhotinha de 3 meses esterilizada com tecnica de gancho, minimamente invasiva 

10- As melhores estratégias são: educação sobre guarda responsável, aumentar os esforços para adoção de animais, aconselhamento para os tutores sobre como resolver possíveis problemas de comportamento e a prevenção do nascimento de ninhadas indesejadas. 

A castração é uma parte da solução que apenas os médicos veterinários podem oferecer. 


sábado, 5 de março de 2016

C.E.D - Como começou?

Informalmente, o C.E.D ( Trap Neuter Return em inglês, TNR ), iniciou-se no final dos anos 1950, quando já havia registros de pessoas que esterilizavam gatinhos de vida livre na Inglaterra. 

Em 1960, o movimento tomou força e conhecido, quando Celia Hammond, uma modelo e amante dos gatos, começou a divulgar suas ações com controle populacional de felinos urbanos, uma vez que suas tentativas de domesticar estes animais ferais e ariscos e encaminhá-los para adoção se mostraram ineficientes. 


Celia Hammond 


Em 1970, Celia possuía um acervo detalhado de informações sobre as colônias felinas em que atuava e, pouco tempo depois, mostrou resultados de como as populações haviam se estabilizado, que os gatos castrados não permitiam animais inteiros ( que iriam se reproduzir ) adentrassem em seus territorios e como a qualidade de vida dos animais havia melhorado significativamente. 

Ela apresentou o C.E.D para a National Cat Rescue Commitee, uma organização britânica e, com o apoio de várias outras instituições , em 1980, em um simpósio sobre o manejo de gatos ferais, entenderam a importância deste método para o bem estar destes animais.

As ações anteriores de apenas retirá-los de seus locais de origem ( ou soltá-los em outro local ), trancafiá-los em abrigos e depois eutanásia-los pela impossibilidade de adoção, não era uma solução definitiva ou humana e, principalmente, não era economicamente viável, pelos recursos utilizados para a captura e extermínio destes animais, pois em pouco tempo outros felinos apareciam e continuavam a se reproduzir, dando continuidade ao problema. 

gatos ferais são seres magnificos e precisam ser protegidos 

A colaboração de veterinários e entidades da Dinamarca, que desde 1970 também utilizavam C.E.D foi de extrema importância para a aceitação da prática na Europa. 

Em 1981, a RSPCA ( Sociedade Real para Prevenção de Crueldade contra Animais ) mostrou seu apoio na esterilização de colônias felinas, como uma ferramenta para o bem estar animal. 

Em 1984 um estudo feito pela médica veterinária Jenny Remfry e seu assistente Peter Neville, apresentava os benefícios do C.E.D em colônias urbanas em Londres, analisando os efeitos para os animais e a melhora na aceitação deles por parte de seus vizinhos humanos, pelos benefícios comportamentais causados pela castração. 

gato feral beneficiado por C.E.D em universidade de Londres

1990 foi o grande ano para o C.E.D, quando Ellen Perry Berkeley, uma utilizadora e pesquisadora da prática e autora do livro "Maverick Cats: Encounters with Feral Cats"         (onde descrevia sua experiência com uma colonia felina em Vermont), publicou o artigo FERAL CATS”,  e várias pessoas que já se preocupavam com a situação daqueles animais começaram a aparecer e se reunir, algumas com mais de 20 anos de experiência com gatos ferais, além de despertar nos amantes de felinos uma nova maneira de               ajudá-los. 

primeiro livro publicado sobre gatos ferais 

Com o nascimento Alley Cats Allies no final de 1991, a primeira organização de C.E.D nos EUA, e a criação da Feral Friends Network, mais de 1400 pessoas de 47 estados e 12 países estrangeiros se uniram para troca de experiências e informações sobre gatos ferais, manejo e captura. 

Organizações de bem estar animal e a Associação Americana de Veterinários, começaram a se interessar pelo assunto e realizar eventos para educar e ensinar sobre o C.E.D, já que resgate/adoção/eutanásia eram as únicas alternativas que conheciam até o momento. 

Apesar das dúvidas, incertezas e opositores, o C.E.D nos EUA ganhou uma força tremenda em várias esferas da sociedade e é praticado em quase todo território nacional. 

mapa das cidades/estados que praticam C.E.D nos EUA

O DIA NACIONAL DO GATO FERAL, criado em Outubro de 2001, consolidou a importância da prática para o bem estar animal e dedicação de seus cuidadores.

Dia Nacional do Gato Feral pela Alley Cats Allies 

Atualmente existem 43 países que oficialmente adotaram o C.E.D como método de controle populacional e a cada dia ganhamos mais adeptos!

No Brasil o C.E.D caminha de forma lenta, mas progressiva. Não podemos esperar mudanças imediatas de uma população e governantes que nunca colocaram o bem estar animal como prioridade ou parte integrante da sociedade como um todo, onde os níveis de abandono e crueldade são alarmantes, mostrando que ainda temos muito o que evoluir. 

Um de nossos grupos pioneiros, o Bicho no Parque, já a atua a mais de 15 anos em parques urbanos de São Paulo, com o auxilio do CCZ municipal. 

Praticantes de C.E.D brasileiros estão espalhados pelos 4 cantos do país, mesmo aqueles que não saibam exatamente que suas atividades tenham essa nomenclatura, mas o importante é que, gradativamente, o número de pessoas dedicadas ao C.E.D está crescendo significativamente e estes gatinhos tão especiais estão ganhando cada vez mais respeito e aliados em prol do seu bem estar. 

Informações tiradas do livro: TNR, Past, Present and Future - Ellen Perry Berkeley